Úlceras bucais: Diagnóstico e tratamento

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Úlceras bucais: Diagnóstico e tratamento

A úlcera bucal, também conhecida como estomatite aftosa recorrente é uma das doenças mais comuns da mucosa oral. Ela afeta até 20% da população em algum momento de suas vidas e aproximadamente 2% cronicamente. A maioria dos pacientes têm aftas leves ocasionalmente, que se resolvem rapidamente sem a necessidade de intervenção médica. Outros apresentam úlceras graves que interferem na alimentação, na fala e podem ser sintomas de um problema de saúde sério.

Neste artigo, você vai entender melhor como identificar, diagnosticar e tratar úlceras bucais recorrentes. Confira.

Características clínicas e diagnóstico da úlcera bucal

Úlceras bucais se apresentam em três formas clínicas diferentes: úlcera aftosa menor, úlcera aftosa maior e úlcera aftosa herpetiforme.

Úlcera aftosa menor

Úlceras aftosas menores são a forma mais comum a atingir pacientes que procuram ajuda médica. Caracterizam-se por aftas isoladas ou várias úlceras, que afetam exclusivamente a mucosa não queratinizada e muitas vezes a parte posterior da língua, mas não afetam a gengiva inserida ou mucosa palatal. Costumam medir de 2 a 3 mm de diâmetro, mas podem ser maiores. Seu formato é oval ou redondo com uma base amarelada e halo eritematoso. Elas duram de 5 a 15 dias antes da cura espontânea sem a formação de cicatrizes e são muito dolorosas no período mais forte, mas tornam-se significativamente menos dolorosas na fase de cura (Figura 1).

Úlcera aftosa maior

Úlceras aftosas maiores são a variante mais severa da úlcera aftosa. Elas tendem ter um diâmetro maior do que 1cm e um contorno irregular. Podem durar várias semanas ou meses antes do início do processo de cura, e formam cicatriz. Elas também afetam apenas mucosa não queratinizada. (Figura 2).

Úlcera herpetiforme

Ulcerações herpetiformes são a variante menos comum de úlcera, que afeta apenas 5% dos pacientes. São chamadas de herpetiformes devido à sua semelhança com as úlceras do herpes primário. O que as difere é o fato de que úlceras herpetiformes não atingem a gengiva inserida ou palato duro, enquanto a herpes provoca estomatite gengival. (Figura 3)

O diagnóstico de úlceras aftosas recorrentes é baseado nas características acima identificadas pelo histórico do paciente e resultados de exames. Não há nenhuma investigação específica para diagnosticar fora desses padrões.

 

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Figura 1: Cancro menor que afeta a mucosa oral. Figura 2: Principais aftas que afetam o palato mole. Figura 3: ulceração sublingual herpetiforme

Causas e origem das úlceras bucais

As úlceras aftosas recorrentes podem ser causadas por diversos fatores, que podem causar ou agravar o quadro.

Fatores endógenos incluem predisposição hereditária: úlceras são mais comuns entre os membros de uma mesma  família, mesmo se não houver nenhum modo de herança. Deficiências nutricionais como ferro, ácido fólico ou vitamina B12 também podem ser responsáveis pelo aparecimento ou agravamento de úlceras. Os pacientes devem ser examinados com base nessas deficiências no exame de sangue, dos níveis de ferritina, folato e vitamina B12.  A contagem de plaquetas não é suficiente, pois a maioria das deficiências são latentes e ocorrem sem necessariamente o paciente ser portador de anemia.

Observação: Em alguns casos, as úlceras podem ser sintomas da síndrome de Behçet, que caracteriza-se por úlceras orais-genitais e muitas vezes problemas oculares, gastrointestinais ou artrite. Os pacientes que apresentarem esses sintomas devem ser encaminhados para atendimento especializado.

Factores exógenos incluem ferimentos na boca ou gengiva, devido a uma escovação incorreta, alimentos afiados ou ferimentos durante um tratamento odontológico também podem causar ulcerações bucais.

Quem está mais propenso às úlceras bucais?

Mulheres grávidas são mais sensíveis a este tipo de problema, pessoas que sofrem de ansiedade causada por estresse também podem adquirir aftas com maior facilidade.

Injeções de progesterona (usadas como um contraceptivo) podem remover as úlceras, em especial se relacionadas com a menstruação.

Tratamentos para úlcera bucal

O tratamento consiste na utilização de aerossóis e sprays de esteróides tópicos.

O aerossol deve ser utilizado assim que os sintomas aparecerem e o esteróide deve ser pulverizado diretamente sobre a lesão após o aparecimento da mesma. Alguns pacientes apresentam formigamento antes de a úlcera de fato aparecer, nesses casos a recomendação é a utilização de aerossol tópico para inibir a evolução da úlcera.

Os pacientes com úlceras muito graves podem requerer esteróides sistêmicos em vez de uma pulverização em aerossol. Neste caso, costuma-se prescrever prednisolona logo que os sintomas aparecem. As doses podem ser ajustadas de acordo com a gravidade das úlceras.

Outros tratamentos mais complexos, tais como talidomida ou imunossupressores são recomendados em casos mais graves e devem ser prescritos em hospitais.

Úlceras aftosas recorrentes deve ser um diagnóstico clínico. A base do tratamento é constituído por aerossóis e sprays de esteróides tópicos. Os esteróides sistêmicos são recomendados para casos mais graves.

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